Canonização de quatro missionários jesuítas |
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Leon Ignace Mangin, Paul Denn, Modeste Andlauer e Remi Isoré |
Texto tirado da página internet dos Jesuítas da Província da França.
Tradução de Clemente Treccani c.r.i.c.
Entre os 120 mártires canonizados no 1º de outubro de 2000 na praça São Pedro em Roma, há também quatro jesuítas franceses objeto do presente artigo.
Todos os 12o novos santos – chineses, franceses, espanhóis e italianos – ofereceram seu testemunho de fé na China durante as perseguições acontecidas nos anos 1648 até 1939.
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Já que o martírio aconteceu em diferentes regiões confiadas pela Santa Sé a religiosos de diferentes ordens e congregações,os mártires foram subdivididos em grupos: 6 Dominicanos, 30 Franciscanos, 56 Jesuítas, 2 Salesianos e 24 das Missões Estrangeiras de Paris.
Dois mártires não pertencem a nenhum destes grupos. A maioria deles são leigos; há também alguns bispos, padres e religiosos.
A missão Chinesa em 1900
Estamos na China em 1900. A imperatriz Tzeu-Hsi, atrapalhada e retrógrada, pouco a pouco leva a dinastia mandchu à ruína. Estava convencida que fora da China o mundo só tinha povos selvagens sem importância.
O jovem imperador Koang-Hsu compreendeu a situação, assumiu o poder e organizou um complô, mas foi descoberto. O movimento liberal adotou a estratégia do patriotismo: "A imperatriz vendeu a China aos estrangeiros", dizia K’ang Yeu-wei, um dos partidários de Koang-Hsu. Para afastar esta bronca, a imperatriz e seu partido assumiram atitudes de xenofobia. Foi a catástrofe, e os instrumentos desta foram os Boxer.
Os Boxer
"Boxer" é o nome que os ingleses deram à sociedade "Justiça e concórdia", sucessora da antiga e misteriosa associação revolucionária Pai Lien Kiao, muitas vezes condenada pela dinastia manchu dos Ts’ing, e sempre renascente.
A imperatriz Tzeu-Hsi achou vantagem se aliar com eles. A boxe dos membros da seita era um jogo de agilidade e de graça. Mas durante as pausas o "Grande Irmão" falava aos protagonistas e aos espectadores, sugerindo o veneno da xenofobia.
Pouco a pouco estes jovens eram inflamados de ódio contra os cristãos; ele encurralava os jovens para a luta, prometendo para eles a vitória. Persuadia que, nesta guerra santa, eles seriam invulneráveis.
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Os Cristãos da Missão de Tchely Sudeste
Nesta imensa China, os Jesuítas do norte da França receberam a Missão de Tchely Sudeste, como se dizia naquele tempo. Em 1900 esta missão contava com 50.000 batizados entre 8.000.000 de habitantes, quase todos agricultores. Neste território não existia cidade alguma. Pequim e Tientsin ficavam a 150 km para o norte.
A situação dos católicas era delicada, pois um tratado entre França e China, assegurava a liberdade de religião, mas com o perigo de fazer aparecer o sacerdote como o vanguarda da conquista estrangeira. As boas relações entre missionários e mandarins não afastavam esta suspeita.
Mas o Ocidente já está às portas da China: guerra do ópio em junho de 1840. Ocupação de Tientsin por parte da Inglaterra e da França em 1858 e nova expedição em 1860. Aos 13 de outubro os aliados entraram em Pequim.
Por represália contra a crueldade e torturas infligidas a alguns parlamentares caídos nas mãos dos chineses, Lord Elgin fez queimar o Palácio de Verão, onde aconteceram as torturas. Enfim, esta página da história não honra nem chineses nem ocidentais.
Um fato momentâneo foi a revolta, no sul, de T’ai-P’ing contra a dinastia manchu em 1850 que reconcilia os estrangeiros residentes com o imperador. O movimento xenófobo e anticristão reapareceu em breve, e aos 20 de junho de 1870, a Tientsin, 20 franceses, 10 irmãs da Caridade e 2 missionários foram massacrados, com a calada cumplicidade das autoridades. Desde 1861 estava no poder a imperatriz Tzeu-Hsi, e sua influência xenófoba paralisava toda iniciativa conciliadora de alguns príncipes de sua corte.
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O drama
Neste contexto de situa o drama de tantos cristãos chineses, particularmente dos da missão de Tchely Sudeste. OS cristãos, vendo a exaltação dos Boxer, compreendiam que a crise estava para estourar, e se preparavam para uma legítima defesa.
As comunidades cristãs mais numerosas fizeram aterros, procuraram armas e estocaram reservas de trigo. Seis destas verdadeiras fortalezas ficaram no norte e todas escaparam do massacre, exceto Tchu-Jia-Ho.
Tchu-Kia-Ho, povoado da região de Kingchow, hoje chamada Kingshien, era uma fortaleza cristã de primeira ordem. O Padre Mangin animava a defesa. Temos algumas cartas e bilhetes que ele escrevia a seus superiores, eles também sediados na residências de Sien-Hsien:
"2o de junho, três e meia da madrugada: Fiat! Um catequista dá a notícia do massacre de dois padres europeus, evidentemente os Padres Isoré e Andlauer. Ontem às três da tarde incendiaram sua residência. E aqui, o que será de nós?"
"24 de junho: as cabeças dos nossos mártires estão ainda penduradas nas portas da cidade de Ou-l. O mandarim murou a porta da capela onde se encontram os cadáveres, mas ainda podem ser vistos pela janela."
E’ do 7 de julho a última carta do Padre Mangin. As quadrilhas de Boxer se multiplicam, saqueando e queimando os povoados cristãos da redondeza. Assim uma massa crescente de refugiados aflui em direção do refúgio de Tchu-Kia-Ho. Em dez dias a população aumenta até 3.000 pessoas.
As armas para a defesa eram mais ou menos 150 espingardas ou pistolas velhas, mas também os Boxer não estavam melhor, tanto é que os cristãos ocuparam seu fortim de Lou-Kia-Tchoang aos 16 de julho.
A fortaleza cristã teria agüentado se não tivessem chegado as tropas imperiais. Eram comandadas pelo general Li-Ping-Heng, antigo governador de Shantung, onde foi um dos primeiros a organizar a Boxe. Os Boxer encontraram nele um bom aliado. O lugar-tenente a quem o general confiou a missão, se mandou, e assim, sob insistência dos Boxer, com a intermediação do mandarim de Kingchow, o general Tchen tomou ele mesmo a iniciativa.
O martírio
Quarta feira, 18 de julho aconteceu um verdadeiro bombardeio contra a fortaleza cristã de Tchu-Kia-Ho. Mulheres e crianças se refugiaram na igreja. Sexta feira, 20 de julho chegam seis torres de madeira montados em carroças, como nos cercos da Idade Média, e já às sete da manhã Tchu-Kia-Ho estava presa.
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Após ter massacrados pelas estradas, os assaltantes chegaram à igreja, cheia de cristãos. Ao barulho das espingardas as mulheres foram tomadas pelo pânico. "Fiquem no seu lugar! – gritou o Pe. Mangin – ainda um pouco e estaremos todos no Céu!"
Os padres Mangin e Denn estavam sentados no altar diante de seus cristãos para exorta-los a uma boa morte, enquanto os Boxer forçavam a porta para entrar. Ainda mais pânico; então o pe. Denn, com sua voz poderosa, entoou o Confiteor em latim. E todos responderam de modo admirável. Acabada a oração o pe. Mangin renovou a absolvição geral; já tinha iniciado o tiroteio.
Uma mulher, esposa do administrador Chu, separada do pe. Mangin pelo banco da Comunhão, levantou para proteger com seu corpo o padre, mas – eram 10 horas – uma bala derrubou esta mulher corajosa, e feriu também o pe. Denn.
Mas os dois padres deviam morrer pelo fogo. Às 11 estourou um incêndio que em breve encheu a igreja com intensa fumaça, que sufocava os sobreviventes. Alguns homens pularam da janela e morreram logo pelo inimigo que os esperava.
Não faltou alguma apostasia, pois só bastava gritar "Pei chiao!" (isto é, "renuncio à religião") para ser poupado. Mas isso é a contraprova do martírio dos outros cristãos.
Aos 21 de julho, os soldados imperiais retomaram sua marcha para Pequim, deixando o povoado em ruína, com 1800 cristãos chineses mortos por ficarem fiéis a Cristo. Entre eles os dois jesuítas franceses, os Padres Leon Mangin e Paul Denn, compartilharam a mesma morte.
A alguns km de distância, ainda ficavam as cabeças dos outros dois jesuítas, os Padres Isoré e Andlauer. Muitos outros episódios sangrentos e mártires tornaram gloriosa a missão de Sienh-Hsien, como por exemplo a pequena Anne Wang, chamada a "Agnes da China".
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